quarta-feira, 19 de abril de 2017

Fragmento


Minha mãe começava a passar mal pela manhã e assim seguia pelo dia todo.  Tinha ânsias de vômito, tonturas, fraquezas debilitantes. Se dava dois de seus passinhos do quarto à cozinha, logo era acometida por uma bambeza das pernas que a fazia se apoiar nas paredes e procurar o assento mais perto. Nem precisa falar a quantas andava o seu já dilacerado humor por causa disso. Eu evitava entrar em seu campo visual, o que me causava certa aflição por no final me tornar evidente a ponto de poder fazer com que me chamasse aos corretivos, mas logo vi que ela sofria de tal maneira que me desconsiderava por completo.
       Vivi esse período em um estado de alívio. Sei que é repreensivo dizer isso e na época talvez uma comichão moral me fizesse deter o olhar por certo tempo, antes que a felicidade pela liberdade suscitada pela supressão de seu julgamento me atinasse a não perder tempo com ruminações ridículas. Ela estava tão prostrada pelo sofrimento, tão removida de sua normalidade, que a coisa não lhe cedia espaço sequer para se espantar; via-se que sua mente arguta, treinada a ver entre as complexidades mais intranscedentes do trivialesco cotidiano, agora estava direcionada por inteiro em tentar entender aquela nova configuração de seu organismo_ que para ela poder-se-ia usar talvez o mesmo sentido que se usa para “alma”, embora não lhe sobrasse tempo nesses esquemas de excesso de realismo para que ela adquirisse esses entendimentos esotéricos.
        Havia algo mais que a irritava, além da dor em si. Algo que eu não ousava expressar em pensamentos, mas cuja intuição me oferecia meios de entendimento desconfortavelmente amplos para suspeitar o que era. Isso consistia, falando a grosso modo, em que ela se sentia ultrajada em seu direito de ser deixada em paz; ela sabia que estava no núcleo de uma família que não se poupava de especular entre si os detalhes sobre o sofrimento dos outros integrantes cujo alvo da má fortuna os faziam humilhados e enfraquecidos diante a maledicência. Minha mãe não era uma dessas faladeiras, se pararmos para analisar bem: talvez porque fosse ocupada demais, não porque tivesse um coração melhor que lhe incutisse uma moral inédita entre os seus consanguíneos; mas simplesmente porque suas labutas eram sérias demais, concentradas, demasiadamente humanas, para que ela tivesse tempo para alimentar tal luxo de leviandade. Mas, pelo contrário dela, os outros integrantes do apartamento se deixavam levar por qualquer coisa pela paixão dos estudos sobre a vida alheia. Eu os ouvia sempre conversando fervorosamente sobre vários personagens do prédio que eu mesmo sequer conhecia, gente que aparecia em suas historietas e em seus julgamentos pormenorizados e de tom de voz acautelado que me fazia pensar no quanto era infinito a babelia daqueles blocos de concreto com janelas e escadas onde morávamos. Uma pessoa podia preencher toda sua vida com apenas essas ocupações e já teria um álibi espiritual suficiente para dizer de si mesma que levou uma existência produtiva, na qual fora usado com parcimônia o poder das faculdades cerebrais lhes dadas pela divina providência. Eu ficava pensando no quanto eu era prisioneiro de meu recolhimento mesquinho a ponto de me passar despercebido tantas entidades interessantes, tantas figuras carregadas de fulgurantes idiossincrasias, de maravilhosos pecadilhos e deliciosos estupores de estupidez e ódio. Eu ficava atocaiado em meu canto na cozinha ou na sala, fazendo-me de criança diligentemente ocupada com meu mundo apartado da realidade e idiotizado, às vezes com minha bola giroscópica na mão ou com meus indiozinhos americanos, mas o que ocupava toda minha atenção rigorosa não eram as imagens que vinham da bola nem das novas aventuras do índio, e sim aquelas conversas todas que aconteciam entre meus tios e tias e avó pentecostal, sobre a mulher do porteiro que estava se deitando com o Fancir, o faxineiro do bloco B, sobre a crise de cirrose do barbeiro cartaginês em que alguém havia tomado conhecimento que no laudo médico havia o prazo de apenas seis meses de vida; sobre a portuguesa do 208 que recebia moleques quando seu marido viajava para as entregas em seu caminhão, e por aí vai. Eles não se importavam comigo, sequer pareciam ter a menor ciência de que eu estivesse por perto, de modos que eu aos poucos me aproximava mais, ficava sentado aos pés deles no tapete, e no final já não precisava usar das desculpas da bola e do índio. Ouvia-os na cara, deixando escapar exclamações de surpresa e espanto, mas que nem meu tio Sólon, nem meu Tio Jétson e nem as tias satélites e a avó pentecostal tinham o potencial minimalista de captar uma filigrana daquela minha presença. Eu era invisível para eles, o que muito me satisfazia.
       Mas voltemos a falar sobre minha mãezinha. Foi numa dessas sessões de estudos sobre a devassidão alheia que me veio pela primeira vez a palavra que atormentaria minhas faculdades de julgamento. Foi numa delas que minha tia Tércia proferiu pela primeira vez a palavra “enjoo”. Claro que eu não a ouvia pela primeira, primeiríssima vez; já a tinha escutado em inúmeras outras ocasiões, inclusive dirigida contra a minha pessoa. Mas agora o tom de voz em que ela era empregada é que fazia toda a diferença. Minhas tias tinham esse estranho talento, sobre o qual um dia eu terei que gastar bem mais que uma página para tentar cercear, anatomizar e procurar a fundo a razão de que simples palavras em suas bocas ganhassem tamanha dimensão com tantas evocações sufocantes de significado. Talvez porque elas fossem tão medianamente previsíveis, seus comportamentos pudessem ser deduzidos sem qualquer probabilidade de surpresa de uma tabela normativa de comportamento, em que a escala gradual partisse da solenidade à mesa até a externalização de uma visão de mundo absolutamente insossa e desinteressante, que fizesse com que tais palavras, ditas em suas vozes monocórdias e atonais, soassem inesperadamente oraculares. Era tão assustador para mim como achar em uma barriga de um sapo uma folhinha de papel não digerida em que viesse escrita em uma letra provençal uma lista de compra. A banalidade era o cerne da questão, mas a disparidade em que ela repousava em seu núcleo anacrônico a fazia aterrorizante.
            Por isso eu não gostava que elas falassem sobre mim quando eu estivesse doente. Coisas como “febre” ou “dor” na boca delas ia além do que a gramática clássica dessas palavras guardava em suas centenas de anos de significados consolidados, e elas pronunciarem esses diagnósticos me fazia pensar que eu estava próximo não só da morte, mas de uma forma de morte recém inventada para a qual o horrível carecia de definição.
           Dessa maneira, a palavra “enjoo” na boca delas, empregada para se referir ao estágio da minha mãe, trazia algo de fantasticamente melífluo e veladamente insultante. Nessas horas em que elas pronunciavam essa palavra, pela primeira vez, como em um sinal concordante que estivesse à superfície da descansada indiferença nutrida quanto a mim, todos pareciam sentir um frêmito de pesar e por um brevíssimo segundo voltavam suas cabeças e dedicavam-me um olhar apressado, o que aumentava o enigma. Eu, que não era bobo, apesar de há muito ter superado o artifício de fingir que brincava para não provocar suspeitas, conservava a bola e o índio nas mãos e, imediatamente, mas sem que ficasse evidente a descontinuidade dos atos, os remoía em murmúrios íntimos e concentradamente apartados da realidade, como se assim fosse eternamente e que em qualquer ocasião estava ali para comprovar que o menino não fazia parte desse mundinho de assuntos sérios e diligentes em que eles viviam. Mas isso já era algo tão aceito para eles_ o que deveria me encher de orgulho por ser tão convincente_, que eles só me lançavam aquela fagulha de nota sobre a minha existência não para me pouparem de ter minha ingenuidade ferida, mas como se para sublinharem com maior ênfase o teor do que estava sendo omitido.

quarta-feira, 1 de março de 2017

O trivial



Não estaria sendo sincero se eu dissesse que estou triste pelo anúncio de que a Fnac vai fechar. No Brasil de hoje os motivos são tantos para a desmotivação e a descrença, que parece óbvio em retrospecto que a Fnac teria mesmo esse destino. É apenas a repetição de uma realidade que eu venho assistindo desde que me conheço por gente: o melhor e maior espaço de um shopping, dedicado à cultura e aos livros, naturalmente é anacrônico e fadado à extinção, em um país que tem os índices culturais e educacionais como o nosso. Semana retrasada, antes de ser anunciado o fim, eu estava na Fnac, vendo as pessoas sentadas em poltronas confortáveis, sob uma boa música atmosférica e o ar condicionado, cada uma lendo sossegadamente um livro, e me veio à mente: isso aqui não pode existir; é bom demais para que exista em nossa realidade. E eis que vai sumir do mapa e, mais uma vez, verei uma loja de celulares ou eletrodomésticos ocupar seu espaço, de maneira tão veemente que só com um esforço de memória alguém poderá se recordar da antiga loja. Eu comprei muitos livros ótimos e baratos por lá. Fica o desbaratino de eu não saber mais para onde ir quando tiver que passar uns dias na capital, a 32º cidade mais violenta do mundo, sem parques apropriados para o entretenimento, com preços extorsivos que promovem o eremitério compulsório nos tristes apartamentos, com o trânsito suicida e estúpido e depressivo. Estamos em um país assassino e atrasado, em que vivemos como escravos regidos pela alienação, e o fechamento da Fnac é só mais uma trivialidade que não causa espanto.

sábado, 25 de fevereiro de 2017

À caça de Nabokov



Dois pequenos textos meus sobre Nabokov, inclusive em que ele não aparece bem, e eis-me atacado por uma obsessão inesperada por esse autor que eu julgava entre os nomes do meu segundo time. Estou lendo frouxamente Lolita no original_ aquelas últimas páginas de um romance de concentração tão extrema são irretocáveis_, e vendo, mais uma vez admirado, o quanto Nabokov era destemidamente pródigo no uso de adjetivos. Em cada frase ele usa uma profusão deles. Para cada conceito e observação e descrição, ele os envolve com adjetivos que, na contramão da severa ortodoxia novecentista da escrita, soam assertivos, inteligentes e deslocadamente histriônicos. Borges também adorava adjetivos, escritor que se aproxima muito de Nabokov. Agora começa minha batalha pessoal de como encontrar todos os livros publicados aqui de  Nabokov. Tenho Fala, memória, Contos Reunidos, Fogo Pálido, Lolita e A Verdadeira Vida de Sebastian Knight, além do volume de aulas sobre literatura russa. Quem estiver lendo isto aqui e quiser me vender algum outro, podemos fazer negócio.

quarta-feira, 22 de fevereiro de 2017

A verdadeira vida de Sebastian Knight



Terminei hoje A verdadeira vida de Sebastian Knight, de Vladimir Nabokov. Como tudo relacionado a esse autor, estou bastante embevecido mas com uma indeterminada impressão de logro. Tem partes tão maravilhosas e belamente escritas que, sem dúvida, é a melhor coisa que li dele: mas não muito, fica um tanto apenas acima das memórias e dos contos. Embora não seja tão exuberante quanto Lolita, é nítido o ébrio e inatacável deleite que movia o autor em seu ofício. Nabokov escrevia com incrível alegria; imagino o estado em que deveria ficar quando encerrava o expediente, com a nítida certeza de ter vencido o mundo ao qual não sem espanto tinha que retornar após a recolhida labuta. Aliás, aos grandes escritores como Nabokov não cabe a palavra "labuta"_ nunca caí nessa mentira de que a escrita para eles é um martírio. Ele brinca, ri como um louco excessivamente inteligente, se entrega a todos os tipos de descomposturas: é uma criança em sua própria órbita, em que nada fora dela tem a ver com ele. A impressão de logro é suscitada pela adivinhação de que para ele bastava esse jogo estético intrincado, essa música em que fazia sua desforra com toda a escrita tão disciplinadamente estudada em seus intensos anos de leitor. Há uma suspeição de falta de experiência espiritual que tornaria a arma de seu talento incontestavelmente legítima, e por isso o que o leitor vê é uma vingança sistemática contra todos aqueles escritores cuja a História não privara do exílio purificador, contra todos que não foram atirados ao confinamento mais estúpido de todos em um Estados Unidos que nada poderia oferecer ao espírito, como ele o fora. Lendo esse romance, compreendi melhor as 200 páginas de road-movie, sem sentido e gratuitas, em Lolita, em que se pretende retirar a película de intranscendência da paisagem americana e tentar inutilmente ver alguma redenção nos hotéis de beira de estrada e nas cidadezinhas afundadas em uma chuva entediante e estupidificadora: ali Nabokov tentava chegar à frente do ambiente carregado de generosos significados de seus gloriosos conterrâneos falecidos em um país que não mais existia e do qual ele fora expulso sem tempo de reavaliar suas sensíveis novas diretrizes: seus amados Tolstói e Turguêniev, e seu farsescamente admitido como adversário impróprio, Dostoiévski. Há uma certa tristeza por detrás dessa felicidade narrativa inexorável, a mesma tristeza que derruba o observador enternecido com a prodigiosa imaginação de uma criança solitária. 

terça-feira, 14 de fevereiro de 2017

O deus abandona o sr. Flibas (pequeno excerto)






Não havia um dia nesses últimos anos em que o sr. Omeno Flibas não acordava antes de que o relógio despertador soasse as seis horas da manhã, e se punha a ficar em um imóvel e aparente estado de pânico debaixo dos lençóis, atirado nos mais desalentadores pensamentos. Aguentava o passar das horas a ponto de a surpreender em pleno estado de lucidez: suportar o tédio parecia ser seu atributo mais corriqueiro, senão o único, de maneiras que se achava preparado para fechar o ciclo de sua existência de sete décadas e meia com esse resumo sucinto de vida.Também tinha outra coisa: como um clichê a ser repetido daquele filósofo grego vacinado da astúcia que no final assumiu não saber nada, contraditória e tolamente tendo morrido em nome de um conhecimento em que não acreditava, da mesma forma o sr. Flibas sentia o peso de uma nunca alcançável verdade pairando sobre si, montado sobre seus ombros e dali não saído mais. Não tinha mais os tantos livros que costumava levar tão zelosamente para todas as residências em que tentara estabelecer o preâmbulo do seu lar permanente; havia aberto mão da grande maioria deles, muitas vezes com um pouco caso forçado que anos antes lhe teria partido o coração, dado alguns para pessoas cuja incorreção era flagrante não por seus fracos vínculos de amizade mas porque as chances seriam bem poucas que algum dia fossem lê-los; ou esquecera alguns propositalmente em taxis, em hotéis, em praças; uma vez deixara em um sobressaltado sossego por sobre a lápide de sua esposa um volume do que para si justificava o abandono ser a filosofia teutônica oitocentista que já lhe perdera o sabor e a relevância, não sabia se aquela sumidade pomposa que teria suas estruturas caóticas disfarçadas de ordem geométrica molhadas pela chuva sido da escola dos românticos ou dos ultra-realistas. Certa vez, sem a graça de possuir a exultação do milionário abnegado que deixara sua herança em vida para desconhecidos, simplesmente jogou uma de suas edições mais preciosas numa cesta de lixo quando voltava por uma rua vicinal até sua casa. O que lhe parecia estranho era que ninguém dera por falta de seus livros; nenhuma das pessoas que faziam parte de suas rotinas a ponto de algum dia terem se detido mesmo que distraidamente na constatação de que era um senhor que vivera em função deles_ seu filho e sua filha, alguns ocasionais colegas de trabalho que visitaram sua antiga casa_, dera pela falta das filas de lombadas irregulares, couros de tantos animais sacrificados servidos para manufaturar aquelas crepusculares vestimentas de proteção, que não desvirtuava a elevada sensação de uma opressiva cercania espiritual que não poderia ser ignorada. Ou eles sabiam que após ter que abandonar sua casa, a casa onde ele e sua esposa viveram em retrospectiva e re-avaliativa harmonia por tantos anos, a dor da readaptação da viuvez em ambientes constrangedoramente menores e com o adendo de novas companhias, sem os livros, seria tamanha que o silêncio sobre a questão era a melhor e mais compadecida das escolhas. Ou eles simplesmente eram como a maioria reinante sobre o planeta: achavam que aqueles tomos eram tão falhos na aquisição da verdade que a massa que formavam de ignorantes de divinatórias onisciências, condutoras reais e sem firulas da força da história, os desprezavam a ponto de não lhes darem nem a mínima catalográfica importância. Havia se livrado deles, que bom.

sábado, 11 de fevereiro de 2017

Hope

Ainda existe muita bondade humana. Não é época para a depressão e perda da esperança. Vejo bondade de pessoas que não conheço dirigidas a mim cotidianamente, as mais sutis e menos perceptíveis, que revelam algo profundamente bom. Esses dias eu ando esmorecido com tanta barbárie que está acontecendo; e hoje, na rua, um homem negro, cego de um olho, maltrapilho, alto, à sua maneira belo, me chega e pede dinheiro. Ele tem um sotaque ou uma deficiência na rapidez da fala que me faz pensar ser um refugiado, o que é estranho na pequena cidade onde eu moro (e que é também estranho eu nunca tê-lo visto). Eu demoro a entender que ele me pede dinheiro, e quando o faço algo no meu inconsciente associa idiossincraticamente a sua erradia nobreza com a disparate de estar precisando de dinheiro. Dou-lhe o que tenho, que acabo de guardar na carteira, muito pouco, mas para ele, não sei mesmo por quê, parece ser um milagre. Ele me aperta a mão e diz muitas coisas, muitas bênçãos, me acompanha pela metade até meu carro, e sai cantando feliz da vida pela calçada. Absurdamente belo. Sinto uma vontade enorme de ir com ele e fazer-lhe todo tipo de pergunta. Não, o sujeito bom aqui não sou eu, não estou de maneira alguma dizendo isso. O sujeito bom é ele. Sua leveza e sua nobreza me contagiaram e me alegraram o dia. Me fez pensar na máxima do Dostoiévski, de que "a beleza salvará o mundo". Um carro de som pelas ruas do Espírito Santo tocando "Imagine", uma música tola e que pouco tem a ver com a situação, mas como é comovente, libertador e um farol de esperança ver a cena. Como é arrasadoramente belo. Como é inevitável que eu pense que esse negro cego é Cristo. Mesmo que tudo em mim, até minhas mais recônditas sinapses, saiba que não é; e que um de meus múltiplos eus insilenciáveis cogita que pode ser um criminoso, um ser mal dissimulado. Mas a beleza é absurda, o ser humano é absurdo, e sempre quando estou no melhor e mais lúcido de mim eu tenho certeza de que o absurdo é que salvará o mundo. Por isso, tenho a mais clara certeza de ter me encontrado com Cristo hoje.